"Vamos ter que contar muito com a Educação", diz presidente do Conselho Municipal de Educação

Em meio à suspensão das atividades escolares em todo o Brasil, autoridades discutem alternativas para superar a crise em decorrência da pandemia do Coronavírus. Em Cruz das Almas, medidas emergenciais foram tomadas pelos órgãos reguladores da educação, para que alunos e professores da rede pública do município recebam suporte neste período de incertezas.

Em entrevista no dia 29 de maio de 2020 à APLB-Sindicato, a então presidente do Conselho Municipal de Educação (CME), Luciene Cruz, esclareceu os principais desafios no enfrentamento dos efeitos da COVID-19 na rede municipal de ensino. Para a professora, que tem formação em Geografia, além da infraestrutura, do acesso e da disponibilização do ensino, tem um pilar que precisa ser priorizado: a vida.

“A vida não será a mesma. Dificilmente um ser humano que passou por uma situação de pandemia vai esquecer de como tudo aconteceu. Enquanto sindicato, enquanto conselho, vamos buscar apoio para os docentes ganharem uma resistência, uma força”, disse.

De acordo com Luciene, a rede municipal de Cruz das Almas, com base na LDB, adotou para o momento a educação remota como principal modalidade de ensino para a educação infantil e fundamentais 1 e 2. Isso significa que todo o material didático pode ser disponibilizado via internet aos alunos ou de forma impressa na própria unidade escolar.

“A educação remota nesse momento é para a gente não perder o elo, o vínculo de escola-família-aluno. Como fazer chegar essa educação? Quando a gente fala para todos, a gente tem que atender aos quilombolas, os índios, os especiais. A gente pensou em atender pelo menos os alunos que estão matriculados, porque aí nesse caso é nossa obrigação”.

Sobre Educação a Distância, a rede pública municipal ainda não possui estrutura de tecnologia para ofertar essa modalidade, e nem todos os professores tem formação adequada para dar aulas virtuais.

No caso do retorno das aulas presenciais, a Secretaria de Educação elaborou para os meses de junho, julho e agosto, 3 calendários. No entanto, o cenário ainda é bastante imprevisível.

Outra situação que merece cuidado é a validação das aulas ministradas na modalidade remota. Segundo Luciene, a saída encontrada é fazer o registro em planilha de todo o planejamento e horas utilizadas pelo docente na preparação das atividades didáticas. Dessa forma, vai facilitar a computação das horas-aula quando a pandemia passar.

“Tudo será preenchido nessa planilha, sendo que o professor fica com uma cópia e a secretaria recebe outra como forma de fiscalizar o trabalho. Essa é a maneira de ficar registrado tudo o que foi planejado enquanto o MEC não chega a uma conclusão. Daí o porquê de sermos prudentes e pacientes na questão de regularizar, de normatizar isso ou aquilo”, revela.

O Ministério da Educação dispensou o cumprimento dos 200 dias letivos e flexibilizou as 800 horas para a educação infantil. Existem discussões em prol da flexibilização dessas horas também para o fundamental I e II.

Com as aulas suspensas e os alunos em casa, professores estão se estressando mais com o mundo virtual e muitos se viram como podem. “O professor não tinha essa habilidade de sentar na frente do computador para preparar uma aula remota rapidamente, então isso tudo requer mais tempo, requer mais atenção. O professor também é gente e está de parabéns porque em meio a tantas preocupações, consegue dar conta do recado”.

Confira aqui a entrevista completa

Ivisson Costa (MTb 6006-BA)
Jornalista

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